História da Língua Italiana


A língua italiana tem uma história longa, complexa e não claramente reconstituída. Sabemos com certeza que tem uma “mãe”, a língua latina, e diversas irmãs, a língua francesa, a espanhola, a portuguesa, a romena..., ditas línguas neolatinas (novas latinas) ou línguas romanças para a própria derivação da língua de Roma.

A língua italiana tem também um antepassado comum à outras línguas da Europa, a língua indoeuropéia, assim chamada pela sua origem nos territórios da Europa central e por sua parcial, mas importante, transmigração em direção à Pérsia e à Índia; o seu outro movimento aconteceu em direção as regiões da Europa meridional, entre as quais, a que hoje conhecemos por Itália, quando aproximadamente no ano 1000 a.C., um povo de origem indoeuropéia, os Latinos, ocupou um pequeno território ao longo do Tevere.

Existem ainda, além disso, muitos e vários parentescos da língua italiana com línguas anteriores à língua latina, como a língua grega e a etrusca, e com línguas mais ou menos sua contemporâneas, como as línguas inglesa, alemã, árabe, etc.... Com todas estas línguas, ela teve e tem relações de grande interesse e de diversos tipos como derivações, empréstimos, trocas, misturas, mutações de fonemas, palavras, formas sintáticas e literárias, etc....

As mais antigas e, em particular, a origem comum indoeuropéia de tantas línguas, hoje são documentadas, não tanto, pela reconstrução histórica das relações entre as diversas populações, às vezes muito incertas, quanto principalmente pelas estreitíssimas semelhanças --verificadas recentemente em algumas palavras usadas em línguas modernas muito distantes entre elas não somente pela estrutura interna, mas também pelo espaço geográfico, como da língua italiana à inglesa, à grega, à iraniana,etc... que orientam nesta direção as pesquisas de vários lingüistas. Vê-se, por exemplo, a palavra “madre” , cujo radical é comum a muitíssimas línguas.

Mais complexo é o problema da origem das línguas em geral, especialmente pela sua dupla natureza, gráfica e sonora. De fato, nada permaneceu, como é facilmente compreensível, de línguas embasadas apenas na oralidade, e podemos apenas imaginar os primeiros editais, as exclamações, os versos, os monossílabos, os sons desarticulados, as onomatopéias que aos poucos se estabilizaram na indicação de objetos e ações para acrescentar às palavras portadoras de significado das línguas verdadeiras e próprias.

Diversas e mais documentadas são a origem e a transformação das línguas escritas, também, porque delas temos os traços sobre pedra, pinturas, afrescos. Sabemos, dessa forma, que a primeira escrita foi pictográfica, isto é, de relatos pintados, que deu origem aos desenhos necessários para uma comunicação; registramos depois um tipo de escritura dita ideográfica que reduziu os desenhos a ideogramas ou desenhos estilizados, dos quais, os mais importantes foram os hieróglifos egípcios. A invenção fundamental é porém a do alfabeto, que destinando a cada som um sinal, permitiu e permite continuamente a composição de muitíssimas palavras nas diversas línguas.

Da Língua Latina às Línguas Romanças

Sabemos através da história política que os romanos suplantaram, pouco a pouco, as línguas faladas nos territórios conquistados, difundindo a própria língua, através da organização de estruturas políticas e burocráticas ligadas a Roma, a transmissão de leis e costumes, a troca de comunicações e comércio, a ação dos militares aquartelados nas diversas regiões, a posse de camponeses nas colônias e a fundação de verdadeiras e próprias escolas.

Estudos recentes, entretanto, mostram claramente que a língua latina não foi imposta de forma análoga em todo o território conquistado; algumas regiões, devido ao longo predomínio romano sofreram/aceitaram uma profunda latinização, outras áreas, ou porque distantes ou isoladas ou porque sujeitas a Roma por pouco tempo ou pelo contato com outros grupos lingüísticos, deixaram cair bem rápido o uso da língua latina substituindo-a por outras línguas; assim durante as crises e após a conseqüente queda do Império do ocidente (476 d.C.), começou a manifestar-se nas diversas regiões uma diferenciação, às vezes muito marcada, no uso da língua latina falada. A língua escrita, ao contrário, conservou-se substancialmente na antiga estrutura lexical e gramatical, que permaneceu quase imutável também nos nossos dias, por causas diversas, dentre as quais e não menos importante, a defesa e o uso por burocratas, gramáticos e escritores.

As diferenças na língua falada foram notáveis e várias por cada área geográfica. Alí influíram, além das línguas locais, não de todo esquecidas, os inumeráveis tipos de pronúncia da língua latina, os neologismos particulares e diferentes de uma região para outra, o fim das relações militares, políticas, culturais e econômicas com Roma --não mais capital do mundo, o fechamento das escolas romanas, as línguas faladas por vários grupos de estrangeiros (ditos bárbaros) apossados nas diversas zonas, e também, o isolamento no qual bem rapidamente se acharam algumas regiões.

Assim, em um largo arco de séculos (do III ao VIII aproximadamente), um processo lento de depreciação fez com que de uma só língua falada em todos os territórios, antes unificados, nascessem várias línguas um tanto diferentes entre elas. Algumas diferenças, como acontece também hoje, são para atribuir às classes sociais, à sua cultura, às ocupações ou profissões e às experiências diversas.

Este processo é reconstituível somente parcialmente pelo apoio de uma escassa documentação; bastará acenar, por exemplo, a gradual queda das consoantes finais latinas M, T, S, a prevalência de termos populares (nulla/niente prevalecem sobre nihil), às vezes também, a difusão de palavras estrangeiras (blank por album; bianco por branco), a transformação dos demonstrativos latinos (ille, illa, etc...) e do numeral "unus" nos atuais artigos ou pronomes pessoais, a difusão de algumas formas carinhosas das palavras que explicam derivações particulares (frater -> fratellus -> fratello;agnus -> agnellus -> agnello;...), o desaparecimento dos casos (genitivo, dativo, acusativo) típico da língua latina, a formação das preposições articuladas (de lo -> dello -> del/dello), a queda da quantidade (breve ou longa) na pronúncia das vogais, transformada em uma pronúncia aberta ou fechada (o atual acento grave ou agudo de algumas vogais), a transformação de alguns ditongos em uma única vogal (au -> o) e vice-versa ( e -> ie; o -> uo) com o ingresso da terminologia religiosa difundida pelo Cristianismo, além das contribuições de diversos grupos estrangeiros como os góticos, os longobardos, os bizantinos, os árabes, os germânicos, os francos....

 

BIBLIOGRAFIA :

SENSINI, M. La Grammatica della Lingua Italiana. Milano: Arnaldo Mondadori,1997.